domingo, 18 de maio de 2014

InovGrid

Mais uma vez muito bem vindos a este espaço, nesta publicação vamos falar do Projeto InovGrid.

Figura nº 1- Logótipo InovGrid

No mês de Outubro de 2007, a EDP deu a conhecer o projeto InovGrid, projeto que procura acompanhar as grandes mudanças que se encontram no horizonte do sector elétrico. Este projecto visa a instalação da rede inteligente de energia e coloca Portugal e a EDP na vanguarda da Europa, em matéria de inovação tecnológica e da abrangência de serviços.

O InovGrid está a ser desenvolvido pela EDP Distribuição, empresa onde estou a desenvolver o presente estágio, este projeto conta com o apoio de parceiros nacionais de produção industrial, de tecnologia e de investigação: a EDP Inovação, o INESC Porto, EFACEC, a LOGICA e a JANZ/CONTAR.

Procurando munir a rede eléctrica de informação e de equipamentos apropriados de forma a tornar possível, a gestão das redes de modo automático, aperfeiçoar a qualidade do serviço, reduzir monetariamente os custos dos serviços, desenvolver a eficácia energética e a sustentabilidade ambiental, potenciar a utilização das energias renováveis e dos veículos eléctricos.


A EDP acredita que a nossa sobrevivência no planeta provém da mudança, nesta linha de pensamentos, o futuro passa por moldar os nossos padrões de vida a uma maior sustentabilidade e diminuir o consumo de recursos. Em que as energias consideradas limpas são administradas de forma inteligente.
 A carência de diferentes e recentes modelos de geração de energia e de maior qualidade e fiabilidade no provimento está a mudar o modo de como os clientes interagem com as redes elétricas. Para dar resposta a esta nova era da energia, a EDP Distribuição lançou o projeto InovGrid.

O InovGrid é um projeto inovador que dota a rede elétrica de informação e equipamentos inteligentes com a capacidade de automatizar a administração da energia, proporcionando uma melhoria na qualidade do serviço, pois permite diminuir os custos, e a eficiência energética, assim como a sustentabilidade ambiental.
O InovGrid é o futuro da distribuição de energia em Portugal: um futuro energeticamente mais inteligente, mais eficiente, mais competitivo e mais responsável.
A EDP centra a atenção no cliente, proporcionando novos serviços de valor acrescentado e a oportunidade de interagir diretamente com a rede.
Com a recente liberalização dos mercados da eletricidade, ficam cada vez mais patentes os benefícios que daí podem advir: em forma de tarifas mais flexíveis, novos produtos e serviços moldados ao consumidor.
Com o InovGrid o cliente pode examinar com mais pormenor os seus consumos, e desta forma aproximar a oferta da procura da energia.
Outra das grandes vantagens é a garantia de uma maior segurança no abastecimento, variando ainda mais as fontes renováveis e permitir o aumento da capacidade de integração da geração distribuída no sistema, ou seja, uma microprodução mais eficiente e mais clara do seu controlo.
Também a reforma das redes e a sua operação fica mais fácil, já que a fiabilidade e a eficiência aumentam com a sua automatização e controlo remoto.


Figura nº 2- Imagem alusiva ao projecto InovGrid



Perguntas e respostas relativas ao Projecto InovGrid.

O que é uma EDP Box?
A EDP Box é o equipamento que veio substituir os atuais contadores, estes permitem executar tarefas à distância como, tais como, alteração de potência, alteração de ciclo e de tarifa. O facto de permitirem a sua leitura à distancia não é necessário a deslocação de uma equipa da EDP nem a sua presença no local.

Como é que eu sei que a leitura está certa?
È possível verificar no ecrã o tipo de tarifa e o ciclo, esta informação atualiza automaticamente.

Eu costumava dar a leitura pelo telefone todos os meses. E agora?
A partir de agora, não tem necessidade de continuar a dar a leitura. Mas caso o faça a sua leitura é aceite, e poderá vir a ser utilizada na faturação, no caso excecional de não haver comunicação direta a partir da sua ‘Caixa de Energia’.

Vai deixar de haver estimativas?
Sim. A faturação dai por diante passa a ser emitida com base em consumos reais. Excecional se não for possível obter a leitura real, a faturação será efetuada por estimativa.

Se eu tiver alguma dúvida, quem é que me pode esclarecer?
Tem à sua disposição a linha InovGrid – 808 505 705, nos dias úteis entre as 09.00h e as 18.00h. O custo é o de uma chamada local.
Também é possível faze-lo através da internet – www.edpdistribuicao.pt.

Vou ter algum encargo com esta ‘Caixa de Energia’?
Não. Todos os custos são suportados pela EDP Distribuição que suporta os custos de instalação e operação deste novo equipamento, tal como já acontecia com os actuais contadores.

Que benefícios é que eu vou ter?
A comunicação de leituras é directa, escusando estimativas de consumos. As suas facturas passam a ser proferidas com base em consumos reais.
Caso seja solicitada uma alteração de potência ou uma modificação do tarifário, a EDP dá seguimento a esses pedidos sem que seja necessária a sua presença no local. Poderá consultar na sua EDP Box os valores de consumo, potência atual, históricos, o que lhe permite administrar mais eficazmente os seus consumos. Pode ainda receber mensagens e avisos.

Vou poupar algum dinheiro?
Permitindo o acesso a uma maior informação, pode ajustar melhor os seus consumos e até gerir a potência instalada de acordo com as suas necessidades.
O acesso ao seu diagrama de carga, ao consumo e potências são ferramentas importantes para que cada cliente possa ajustar a sua instalação às suas necessidades.

Rede inteligente:
A rede inteligente está apetrechada com imensos sensores ao longo da sua extensão. Isso possibilita verificar ao instante o estado de toda a rede, balancear cargas e acautelar avarias antes que elas aconteçam.
A rede reage de pronto às ações dos consumidores e produtores quando estes, por exemplo, injectam energia na rede ou requerem um aumento de potência.

A rede inteligente de energia oferece vantagens para todos, do consumidor, que passa agora também a poder ser produtor, ao País no seu todo, passando pelo comercializador, pelo distribuidor e pelo mercado.



Figura nº 3- Vantagens das redes inteligentes

Évora a cidade Património Mundial da Humanidade é a primeira metrópole portuguesa a receber a rede inteligente de energia, cidade essa onde 31.000 clientes domésticos fazem parte do projeto Inovcity.

Tivemos neste estágio a oportunidade de visitar, e compreender junto do engenheiro responsável, ao qual agradeço desde já a sua total disponibilidade, como este aliciante projeto se desenvolve. Durante a visita às instalações foi-nos também permitido conduzir um automóvel eletrico, estes trazem imensas vantagens è sobre elas que vamos falar de seguida.

Os veículos elétricos não são novidade, pois já passaram mais de 100 anos desde que o primeiro carro eléctrico foi construido. Nos dias que correm, a chamada "eletrificação do transporte" conheceu um novo destaque, sendo defendida por alguns como uma das medidas que maior contributo pode dar para que seja possível diminuir as emissões de gases de efeito de estufa e a consequente poluição ambiental, contribuindo também para um maior desenvolvimento económico.


A EDP, naquilo que define como o seu trilho de sustentabilidade, eficiência energética e inovação, está a corroborar na criação de uma rede de pontos de abastecimento, que se vai poder expandir mais rápida e eficazmente com a criação de uma rede inteligente de energia.

A rede inteligente será a base das manobras de carga e de descarga dos veículos eléctricos, de forma a receber da rede energia elétrica quando esta está disponível e tem preço mais baixo, e para devolver à rede a energia elétrica quando esta é mais necessária e a um preço que se traduza em rentabilidade para o utilizador.

A rede inteligente permite uma verificação próxima do tempo real da energia consumida nestes postos de abastecimento, o que permitirá ao consumidor calcular a porção de consumo alocada ao veículo eléctrico abastecido na sua habitação.

Figura nº4- Carro elétrico da EDP em posto de abastecimento


Reflexão:
Este projecto proporcionou-me o acompanhamento e o desenvolvimento de auditorias no âmbito da segurança no trabalho, esses trabalhos tinham como objetivo a substituição dos equipamentos por outros mais recentes, de forma a adaptar o sistema a esta nova realidade. Foi na Baixa Tensão (BT) onde foram realizadas as maiores alterações na rede elétrica no âmbito do Projeto InovGrid. Em publicações futuras abordarei as medidas de segurança adotadas para a realização desses trabalhos.
Outro dos temas em destaque onde senti uma maior preocupação foi no reduzido numero de carros eléctricos que circulam nas cidades, segundo informações recolhidas junto do responsável pelo projeto dá conta de apenas dois carros movidos a eletricidade na cidade de Évora, tendo em conta que um deles pertence à EDP, este numero é imensamente baixo mas não me surpreende. Em Beja cidade onde vivo conheço inúmeros postos de abastecimento de carros elétricos mas nunca vi nenhum a ser utilizado, e também não identifico qualquer carro eletrico nessa cidade.
Sendo estes carros identificados como veículos não poluidores, assim como não ruidosos, deixo um apelo aos nossos governantes no sentido de contribuírem com a diminuição nos impostos na aquisição destes veículos, de forma a que as empresas e particulares, possam obtar por estes “amigos do Ambiente”.
Este projeto gerou um forte interesse por parte de entidades externas nacionais e internacionais para visitar Évora, entre esses visitantes podemos destacar o Príncipe Carlos de Inglaterra, um conhecido entusiasta das energias renováveis.

Para uma melhor e mais sucinta explicação relativamente ao InovGrid, deixo-vos com um pequeno vídeo explicativo, espero que tenham gostado até à próxima publicação J ….!! 

Vídeo:



Bibliografia:  

1- ERSE - Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos - Funcionalidades mínimas e plano de substituição dos contadores de energia elétrica, Maio 2007;

2- EDP Distribuição - 1ª Conferência de Energia e Ambiente: Projeto InovGrid, Novembro 2011;

3- EDP Inovação - Desenvolvimento da SmartGrid da EDP: Projeto InovGrid, Julho 2010;

4- Diretiva 2009/28/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 23 de Abril de 2009, relativa à promoção da utilização de energia proveniente de fontes renováveis que altera e subsequentemente revoga as Directivas 2001/77/CE e  2003/30/CE;

5- JRC - Joint Research Centre - Guidelines for conducting a cost-benefit analysis of Smart Grid projects, European Commission, 2012;

6- EDP Distribuição - Gestão Sustentável de Energia: Projeto InovGrid, Setembro 2013.

sábado, 17 de maio de 2014

Coordenação de Segurança em Obra

Boa tarde hoje vamos abordar um dos temas prioritário das empresas do Grupo EDP, “Segurança no acompanhamento de obras”.
A segurança faz parte integrante da qualidade dos serviços e produtos das Empresas do Grupo EDP, a EDP defende acima de tudo que nenhuma situação ou urgência pode justificar pôr em perigo a vida de alguém.

Para garantir que a segurança dos trabalhadores seja assegurada devem ser tidos em conta os seguintes fatores:

O Grupo EDP defende que se todos estes fatores forem minuciosamente tidos em conta “todos os acidentes podem ser prevenidos”.
No que toca à legislação aplicável, são identificadas as seguintes... :


O Decreto-Lei nº 273/2003 estabelece as regras gerais de planeamento, organização e coordenação para promover a segurança, higiene e saúde no trabalho em estaleiros da construção. Este é aplicável a todos os ramos de actividade dos sectores privado, cooperativo e social, à administração pública central, regional e local, aos institutos públicos e demais pessoas colectivas de direito público, bem como a trabalhadores independentes, no que respeita aos trabalhos de construção de edifícios e de engenharia civil.

É aplicável a trabalhos de construção de edifícios e a outros de engenharia civil que consistam, nomeadamente, em: a) Escavação; b) Terraplanagem; c) Construção, ampliação, alteração, reparação, restauro, conservação e limpeza de edifícios; d) Montagem e desmontagem de elementos prefabricados, andaimes, gruas, e outros aparelhos elevatórios; ….. h) Intervenções nas infra-estruturas de transporte e distribuição de electricidade, gás e telecomunicações.

O mesmo Decreto-Lei 273/2003 atribui diferenciadas responsabilidades aos seguintes intervenientes, são eles:

Figura nº 1-  Intervenientes na Coordenação de Segurança em Obra

Dono se Obra: a pessoa singular ou coletiva por conta de quem a obra é realizada, ou o concessionário relativamente a obra executada com base em contrato de concessão de obra publica.
Na EDP, entende-se por Dono da Obra a Empresa que contrata a execução da obra ou a prestação de serviços a uma empresa exterior.

O Dono da Obra pode delegar as suas atribuições a uma pessoa de um nível dotado de autoridade, de competência e dos meios necessários para a execução das operações previstas.

Coordenador em matéria de Segurança e Saúde durante a execução da Obra: anteriormente designado por Coordenador de Segurança em Obra (CSO), a pessoa singular ou coletiva que executa, durante a realização da obra, as tarefas de coordenação em matéria de segurança e saúde previstas no DL 273/2003.

Acompanhante de Obra: pessoa que exerce por conta do dono da obra, a fiscalização da execução da obra, de acordo com o projeto aprovado, bem como do cumprimento das disposições legais e regulamentares aplicáveis, atua na fiscalização da construção, dos fornecimentos e montagens de obras e/ou equipamentos, afim de verificar se a sua execução se mantém de acordo com o projeto e as condições do respetivo caderno de encargos.

Entidade Executante: a pessoa singular ou coletiva que executa a totalidade ou parte da obra, de acordo com o projeto aprovado e as disposições legais ou regulamentares aplicáveis; pode ser simultaneamente o Dono da Obra, ou outra pessoa autorizada a exercer a atividade de empreiteiro de obras públicas ou de industrial de construção civil, que esteja obrigada mediante contrato de empreitada com aquele a executar a totalidade ou parte da obra.

Gestor de Obra ou Gestor de Contrato: a pessoa singular na qual é atribuída, pelo Dono da Obra, a competência de gerir os trabalhos referentes a um determinado contrato.

Coordenador em matéria de Segurança e Saúde durante a elaboração do projeto da obra: anteriormente designado por Coordenador de Segurança em Projeto, a pessoa singular ou coletiva que executa, durante a elaboração do projeto, as tarefas de coordenação em matéria de segurança e saúde previstas no DL nº 273/2003.

No que toca a segurança no acompanhamento de obras o DL nº 273/2003 menciona ainda o Plano de Segurança e Saúde  (PSS). O mesmo consiste na Planificação da Segurança e Saúde no estaleiro (obra), e deve caracterizar os riscos previsíveis e as medidas a adoptar  para evitar acidentes, este é elaborado em fase de projecto pelo autor do projecto. É desenvolvido pela Entidade Executante (empreiteiro) para a fase de obra de modo a complementar as medidas previstas. A implantação do estaleiro não pode iniciar-se sem que o PSS tenha sido validado pelo CSO e aprovado pelo Dono de Obra.

O Plano de Segurança e Saúde é obrigatório nas obras sujeitas a projeto e que envolvam:
- Trabalhos que impliquem riscos especiais, ou;
- A Comunicação Prévia da abertura do estaleiro;

Nos trabalhos em que não seja obrigatório o PSS, mas que impliquem riscos especiais, a Entidade Executante deve elaborar FPS (Ficha Procedimentos Segurança). 


Figura nº 2- Exemplos de trabalhos onde se verifica riscos especiais
Coordenador segurança em projeto (CSP):
Figura nº 3- Síntese da nomeação do Coordenador de Segurança em Projeto 


Coordenador segurança em obra (CSO):
Figura nº 4- Síntese da nomeação do Coordenador de Segurança em Obra 

O Decreto-Lei nº 273/03 refere e diferencia as contra ordenações imputáveis aos diferentes intervenientes.

 Exemplos de Contra-Ordenações muito graves impotáveis ao Dono de Obra:
-          Falta de PSS de projecto;
-          Não foi nomeado CSP;
-          Não foi nomeado CSO;
-          Não foi aprovado PSS obra;
-          Não impediu o início da implantação do estaleiro sem a prévia aprovação do PSS.

Exemplos de Contra-Ordenações muito graves impotáveis pela falta de PSE (Plano Segurança Estaleiro):
-          Não desenvolveu PSS de obra;
-          Omitiu-se de dar conhecimento do PSS ao subempreiteiro;
-          Iniciou a implantação do estaleiro antes da aprovação do PSS;
-          Não avaliou os riscos associados à execução da obra;
-          Não organizou os registos do subempreiteiro contratado por si.

Reflexão:
Caminhar para o zero acidentes através de uma sólida disciplina operacional, de forma a potenciar os comportamentos seguros e evitar os de risco é a grande ambição da EDP Distribuição. As observações preventivas de segurança (OPS) mostram-se como uma ferramenta de grande importância para a Linha Hierárquica gerir e demonstrar o seu comprometimento com a Segurança, junto dos colaboradores próprios e de prestadores de serviços externos (PSE).

É na procura de atingir esse objetivo que no decorrer deste estágio tivemos a oportunidade de assistir a encontros de segurança, promovidos pela EDP Distribuição não só para os colaboradores da EDP mas também para os seus prestadores de serviços externos (PSE). Estes encontros pretendiam a análise de várias situações de possíveis acidentes, em que os trabalhadores analisam as causas que levaram à ocorrência dos mesmos, e posteriormente as medidas que deviam ter sido tomadas para que os mesmos não ocorressem.

Tive também a oportunidade de participar numa reunião em Évora, onde estiveram presentes o Diretor da área operacional (AO) de Évora, os representantes dos trabalhadores da EDP e dos PSE, a reunião visava abordar os temas e métodos de trabalho que poderiam ser melhorados de forma a proporcionar maior segurança e comodidade aos trabalhadores.

Outra das actividades que tenho desenvolvido por diversas vezes ao longo deste estágio são as auditorias aos trabalhos no âmbito da segurança. As auditorias pretendem a análise das condições e métodos de trabalho de forma a corrigir algum procedimento menos adequado de onde pudesse advir dai algum risco para os trabalhadores.

Algumas destas ações tiveram ainda uma vertente de formação dadas no local dos trabalhos, esta formação visa insistir nos riscos que são naturalmente inerentes aos trabalhos desenvolvidos. A formação demonstra que caso os acidentes ocorram com a devida utilização dos equipamentos de proteção individual e/ou coletivos (EPI e EPC), as consequências no que toca a saúde dos trabalhadores são ínfimas.

Deixo de seguida o vídeo inerente à formação levada aos trabalhadores.
Espero que tenham gostado e que esta publicação vos tenha sido útil.

Muito Obrigado, Até à Próxima Publicação…

Vídeo:


Bibliografia: 

1- EDP – Regulamento de Segurança para a execução de trabalhos para a EDP, Dezembro 2012;

2- EDP Distribuição – Segurança no Acompanhamento de Obras, Março 2012;

3- Decreto-Lei nº 273/03 de 29 de Outubro (Revisão da regulamentação relativa às condições de segurança nos estaleiros temporários ou móveis que revoga o Decreto-Lei n.º 155/95 de 1 de Julho), estabelece as regras gerais de planeamento, organização e coordenação para promover a segurança, higiene e saúde no trabalho em estaleiros da construção;

4- Diretiva nº 89/391/CEE de 12 de Julho (Diretiva Quadro da Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho), relativa à aplicação de medidas destinadas a promover a melhoria da segurança e da saúde dos trabalhadores;

5- Diretiva nº 92/57/ CEE  de 24 de Junho (Diretiva Estaleiros), relativa às prescrições mínimas de segurança e de saúde a aplicar nos estaleiros temporários ou móveis;

6- Mendes, A. Supervisão da prática pedagógica: uma perspetiva de desenvolvimento e aprendizagem, Abril 2003;


7- Rodrigues, M. A Formação dos Coordenadores de Segurança e Saúde na construção, Setembro 1999.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Policlorobifenilos (PCB´s) ...

Nesta publicação vamos abordar o tema dos Policlorobifenilos (PCB´s), que ao longo de vários anos têm levantado várias questões a nível ambiental e consequentes malefícios para a saúde humana.  

Os PCB fazem parte de uma classe de compostos organoclorados provenientes do acréscimo de átomos de cloro ao bifenilo, composto esse formado por anéis aromáticos interligados por uma ligação simples carbono-carbono 1. Como pode ser observado mais a baixo na figura nº 1, os PCB´s mostram diversas substituições possíveis dos átomos de cloro, que variam de 1 a 10 átomos, e assim originando 709 moléculas distintas.

                                                    Figura nº 1- Estrutura Molecular dos PCB´s

As propriedades físico-químicas dos PCB´s influenciam tanto a sua dinâmica nos compartimentos ambientais, tal como a sua utilização pela indústria como pode ser observado na tabela numero 1.


 Tabela nº 1- Propriedades físico-químicas dos PCB´s

Pelo facto de serem praticamente incombustíveis, ostentarem baixa pressão de vapor (temperatura ambiente), alta estabilidade térmica e química, serem resistentes a bases e ácidos, os PCB`s tem sido utilizados de diversas formas, tais como, fluidos dielétricos em transformadores e condensadores, tintas, lubrificantes hidráulicos, entre outros. Existem na forma de sólidos (gorduras/resinas) como de líquidos (óleos), não apresentam cheiro ou sabor, são pouco solúveis em água, e a solubilidade diminui com o aumento do número de átomos de cloro na molécula, estes são ainda muito solúveis em solventes orgânicos, gorduras animais e óleos vegetais.

PCB`s e a sua História:
a) No decorrer da década de 20, o recurso aos equipamentos elétricos generalizou-se por todo o mundo, notadamente nos EUA, com a grande utilização de transformadores elétricos. Estes tipos de equipamentos eram até então isolados unicamente por óleos de origem mineral, alcançados pela destilação do petróleo, e como tal, de natureza combustível. Durante esta época, ocorreram diversos casos de incêndio, geralmente provocados por arco elétrico nos transformadores, que despoletavam a combustão do líquido isolante e a consequente propagação do fogo.

b) Durante a década de 30 a regulamentação pública nos EUA relativa as instalações elétricas, impôs que os transformadores em subestações no interior dos prédios habitacionais  ou naqueles onde houvesse o risco de incêndio, fossem fabricados com líquido isolante não inflamável e não propagador de chama. Desde então, foram desenvolvidas várias formulas de óleos isolantes para transformadores baseadas nas PCB´s, devido à sua característica de não flamabilidade.

As formulas baseadas na utilização de PCB`s oferecem boas características isolantes, grande durabilidade e enorme eficácia quanto à não propagação de chama. Nas condições de falha em transformadores, a mistura é praticamente não inflamável, desta forma, a sua utilização como líquido isolante de segurança foi amplamente difundida por todo o mundo.

c) Nos anos 60, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou um programa de monitorização global identificando alguns poluentes considerados perigosos.
Este estudo demonstrou que os PCB`s estavam globalmente dispersos no meio ambiente terrestre, e passaram a pertencer ao grupo dos poluentes referenciados.

d) No ano de 1968, na cidade de Yusho, capital da ilha de Kyusho, no Japão, ocorreu o sobreaquecimento de um dos equipamentos utilizados na produção de alimentos. O líquido refrigerante utilizado de modo a remediar a situação era à base de PCB`s e foi acidentalmente misturado ao óleo comestível. A população de Yusho passou a manifestar um conjunto de sintomas patológicos, designados então de "Mal de Yusho", que incluíam cloroacne, hiperqueratose, bronquite, edema e entorpecimento dos membros, entre outros. Estas ocorrências foram atribuídas à ingestão dos PCBs misturadas ao óleo destinado à alimentação.

e) Na mesma época do ocorrido na cidade de Yusho, numa zona habitacional construída sobre um antigo aterro químico já encerrado, pertencente à Westinghouse Electric corporation, designado de Love Canal, no estado de Nova Iorque, EUA, foram detectados PCB`s no solo e lençol freático. Os mesmos sintomas foram observados entre a população exposta.

f) No ano de 1971 a Monsanto, maior produtor mundial de compostos químicos à base de PCB`s, limitou as utilizações dos seus produtos, devido à repercussão dos acidentes.

g) No ano de 1975 a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (USEPA), enviou ao congresso Norte Americano o projeto Lei de Controle de Substâncias Tóxicas (TSCA) onde estão identificados os PCB`s.

h) Estudos posteriores aos acidentes de Yusho e Love Canal comprovaram que vários dos sintomas observados em ambos os episódios eram, na realidade, devidos às “bibenzo-dioxinas policloraras” e aos “dibenzo-furanos policlorados”. Estas substâncias são formadas a quando da oxidação parcial dos PCB`s em condições de carência de Oxigênio ou energia. A pesar destas constatações, os PCB`s não foram retiradas do TSCA em função dos seus vários efeitos nocivos ao meio ambiente e à saúde. Embora as sucessivas alterações introduzidas na legislação norte americana, os mecanismos relativos à proteção humana e ambiental permanecem os mesmos.

Identificação dos Riscos
A avaliação dos efeitos danosos sobre a saúde humana originados pelos PCB`s deve ter em consideração o modo de exposição, a duração da exposição e a composição da mistura de PCB`s. Tais variáveis influenciam nos efeitos e nos grupos sujeitos à exposição por PCB`s.
 A estabilidade química e a ampla dispersão de produtos contendo PCB`s, principalmente na primeira metade do século XIX, levou a que tais compostos fossem encontrados em grandes concentrações nos mais distintos compartimentos ambientais. Este fato devesse à descarga  destes compostos no meio ambiente, resultado das atividades humanas. A exposição de organismos aos PCB`s ocorre através da ingestão e contato direto com a água, alimentos e sedimentos contaminados e também pela inalação.

Os PCB`s com poucos átomos de cloro e baixo valor Kow (fator de hidrofobicidade) são rapidamente expelidos, enquanto que os PCB`s com grande quantidade de átomos de cloro na molécula são expelidos de forma mais lenta.
 Uma das consequências da exposição aos PCB`s é o cloroacne, uma escamação dolorosa que afeta a pele, semelhante ao acne. Essas substâncias quando dentro do organismo dos seres vivos são transportados pela corrente sanguínea até aos músculos e fígado, devido ao fato de serem extremamente lipofílicos, tendem a acumular-se nos tecidos adiposos viscerais onde, estimulando as enzimas hepáticas, provocam anomalia na função do fígado. Além do cloroacne, são observados os seguintes efeitos nos seres humanos, são estes, hiperpigmentação, problemas oculares, irregularidade menstrual, elevação do índice de mortalidade por cancro do fígado e vesícula biliar, dores abdominais, tosse crónica, dor de cabeça, fadiga e nascimentos prematuros com deformações.

Estudos toxicológicos efetuados em cobaias têm evidenciado que a contaminação por PCB`s pode originar variações nas funções reprodutivas dos organismos, como na maturação sexual e efeitos teratogénicos. Estes efeitos permitem aos PCB`s propagar-se ao longo de toda a cadeia trófica, através da bioacumulação. É de salientar que os efeitos tóxicos dos PCB`s variam com o modo de exposição, idade, sexo e com a área de exposição do corpo onde há a concentração dos PCB´s. 

Possíveis Fontes Poluidoras

Os bifenilos policlorados (PBC`s) podem chegar ao meio ambiente através de derrames acidentais aquando do seu transporte ou utilização, ou ainda de incêndios de produtos que contenham PCB`s.
Outra das fontes poluidoras são os depósitos de resíduos perigosos, eliminação ilegal ou inadequada de resíduos. Este perigo ainda está presente em descargas de antigos transformadores elétricos contendo PCB`s, assim como na incineração de resíduos urbanos. Outra fonte adicional de PCB`s é a volatilização dos aterros contendo transformadores.

Destino e Transporte dos PCB`s
O destino e comportamento dos PCB`s no meio ambiente são influenciados pelas suas caraterísticas físico-químicas, nomeadamente a sua pressão de vapor, solubilidade em água e restetiva lipofilicidade. Os PCB`s menos clorados possuem pressão de vapor e solubilidade em água superior aos mais clorados, os quais são mais lipofílicos. Estas diferenças desempenham um grande efeito na persistência, e respetivo coeficiente de partição entre os diferentes compartimentos ambientais.
Devido às caraterísticas atrás mencionadas, os PCB`s ostentam alta resistência à degradação. Ao serem libertados no meio ambiente, tendem a acumular-se nos organismos.
Devido à sua alta estabilidade química, oferecem grande resistência à degradação e podem gerar compostos secundários extremamente tóxicos como dibenzodioxinas e dibenzofuranos por oxidação parcial.

A introdução dos PCB`s na cadeia alimentar ocorre devido à sua capacidade de bioacumulação, processo pelo qual ocorre a acumulação do contaminante proveniente da absorção e eliminação simultânea, e de biomagnificação, consequente da acumulação da concentração do contaminante nos tecidos dos organismos vivos na passagem de cada nível trófico da cadeia alimentar.

 A lipofilicidade dos PCB`s, a estrutura e dinâmica da cadeia alimentar, onde a concentração do contaminante aumenta com a cadeia trófica, determinam o seu potencial de biomagnificação. Desta forma, o ser humano está sujeito a uma grande exposição aos contaminantes, pelo fato de ocupar o último nível trófico da cadeia alimentar.
 Visto o que foi exposto anteriormente, é possível traçar o percurso dos PCB`s no  meio ambiente, conforme mostra a figura nº 2. 

Figura nº 2- Percurso dos PCB`s no  meio ambiente

Reações

No que toca aos processos biológicos, os PCB`s em ambiente aquático podem sofrer a biodegradação pela ação do metabolismo dos microrganismos, o que pode suceder em condições aeróbias ou anaeróbias, em qualquer uma das formas trata-se de um processo lento.
Outra reação que pode ser relacionada aos bifenilos é a degradação intencional, este método é utilizado para eliminação de PCB`s através da incineração a grandes temperaturas. Contudo, em consequência deste processo, compostos secundários altamente tóxicos, tais como o PCDF (policlorodibenzofurano) e PCDD (policlorodibenzodioxinas), podem ser gerados pela sua combustão inadequada.


Formas de “Remediação” dos PCB`s no Ambiente

A remediação destes composto pode acontecer através da aplicação de técnicas de escavação e remoção, seguidas de incineração. Outras técnicas são a lavagem do solo ou  a respetiva destruição no local.
A técnica mais apropriada é a biorremediação onde, são empregadas algumas espécies de bactérias ou fungos capazes de utilizar o bifenilo como fonte de carbono e energia e desta forma, degradar o PCB. As espécies de bactérias usadas são, as Achromobacter, as Acinetobacter, as Alcaligenes eutrophus e a espécie de fungo utilizada são as Phanerochaete chrysosporium.

REFLEXÃO

Este é um problema atual e identificado em diversos locais, ainda que o cidadão comum não esteja ciente, estes poluentes afetam de forma negativa a nossa saúde, podendo advir deles consequências bastante graves.

De forma a combater os focos de poluição causados por estes agentes, devem ser tomadas medidas que possibilitem combater os impactos ambientais dai resultantes.

Como aluno finalista da licenciatura em Saúde Ambiental, as disciplinas de Bioquímica, Microbiologia, Toxicologia e Química permitiram-me compreender e estudar esta temática. Através das disciplinas mencionadas adquiri as bases sólidas que me permitiram o estudo e a compressão daquilo que são os PCB`s, enquanto estrutura e complexidade de movimentos entre os diferentes meios. Assim como as medidas e cuidados que devem ser tidos em conta na procura da sua eliminação do ambiente.

Para uma mais breve compreensão relativamente a esta temática deixo-vos com um pequeno vídeo explicativo de um problema causado pelos PCB`s no Rio Hudson situado em Manhattan USA, o vídeo foi elaborado pelo Dr. Bill Chameides, “Dr. Chameides is dean of Duke's Nicholas School of the Environment and a member of the National Academy of Sciences”.

Espero que tenham gostado e até à próxima publicação…
Muito Obrigado J 




Bibliografia:
1-Brown, J. Determination of PCB metabolic, excretion, and accumulation rates for use as indicators of biological response and relative risk. Environ. Sci. Technol. 28(13):2295–2305, Setembro 1994;

2- Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR): Toxicological profile for polychlorinated biphenyls (PCBs). Atlanta, GA: U.S. Department of Health and Human Services, Janeiro 2000;

3- UNEP Chemicals: PCB transformers and capacitors: From management to reclassification and final disposal, Setembro 2002;

4- International Agency for Research on Cancer (IARC): IARC Monographs on the Evaluation of Carcinogenic Risks to Humans, Supplement 7, Overall Evaluations of Carcinogenicity. An Updating of IARC Monographs Volumes1-42, Junho 1987;


5- Agência Portuguesa do Ambiente (APA): Guia de Boas Práticas – Gestão de Equipamentos com PCB, Março de 2010;