sexta-feira, 21 de março de 2014

Trabalhos em Tensão (TET)

Nesta publicação vamos abordar o tema  dos Trabalhos em Tensão (TET).
A continuidade de serviço no fornecimento de energia eléctrica é nos dias que correm um dos factores de maior importância para consumidores e distribuidores de energia eléctrica, que engloba evidentemente a EDP Distribuição. Pelo que se procura cada vez mais aplicar e desenvolver técnicas e materiais para TET, minimizando o impacto das intervenções nas redes eléctricas.
Estes trabalhos decorrem durante o qual o trabalhador entra em contacto com elementos em tensão, ou entra na zona de perigo, bem seja com uma parte do seu corpo, ou com as ferramentas, equipamentos, dispositivos ou materiais que manipula.

Não se consideram como trabalhos em tensão as manobras e as medições, ensaios e verificações, estes não são mais que, actividades concebidas para comprovar o cumprimento das especificações ou condições técnicas e de segurança necessárias para o correto funcionamento de uma instalação eléctrica.

Outros dos conceitos associados aos trabalhos em linhas TET são:
Trabalho eléctrico - Trabalho que respeite às partes activas ou seus isolamentos, à continuidade das massas ou outras partes condutoras dos equipamentos, assim como aos condutores de protecção das instalações. Inclui os trabalhos fora de tensão, em tensão ou na vizinhança de tensão, em instalações eléctricas como por exemplo, ensaios e medições, reparações, substituições, modificações, ampliações, construções e verificações.

Zona de Trabalhos em Tensão - Espaço em volta das peças em tensão, no qual o nível de isolamento destinado a evitar perigo eléctrico não é garantido se nele se entra sem serem tomadas medidas de proteção.

Trabalhos na Vizinhança de Tensão (TVT) - Trabalho em que o trabalhador entra com parte do seu corpo, com uma ferramenta ou qualquer outro objeto que manipule, dentro da zona de vizinhança, mas sem entrar na zona de TET.

Trabalhos fora de Tensão (TFT) - Trabalho realizado em instalações elétricas  após terem sido tomadas todas as medidas adequadas para se evitar o risco elétrico  e que não estejam nem em tensão, nem em carga.

Os Trabalhos em Tensão evitam interrupções no fornecimento de energia, existindo um crescente aumento do número de trabalhos TET e diversidade dos mesmos. Porém, a natureza dos trabalhos, impõe o recurso a meios humanos habilitados, meios tecnológicos e equipamentos homologados e certificados, a certificação dos equipamentos utilizados pelos trabalhadores TET na EDP Distribuição são efectuados nos laboratórios da EDP Labelec.

Os trabalhos TET são ainda realizados tendo como base toda a documentação sobre condições de execução dos mesmos, fichas técnicas, modos operatórios e manuais de segurança.

Relativamente às habilitações os operacionais TET possuem competência técnica, médica e humana quanto às precauções a tomar para prevenir os acidentes de proveniência eléctrica ou outros associados à realização dos trabalhos ou tarefas que lhe são atribuídas.

A habilitação técnica dos profissionais TET contém conhecimentos relativos a:
• Métodos operacionais que permitem realizar trabalhos em tensão;
• Instalações e equipamentos eléctricos em que actuará;
• Riscos da electricidade;
• Regras de segurança para acautelar esses riscos;
• Métodos de trabalho em tensão;
• Procedimento a seguir em caso de acidente eléctrico;
• Medidas de segurança para prevenir outros riscos ligados à sua actividade
normal e ao seu habitual ambiente de trabalho.

Fig.1 - Dispositivo Proteção Aves e Fauna

Fig.2 - Trabalho TET

Os trabalhos realizados em tensão podem dividir-se em trabalhos em linhas de tensão reduzida (TR), baixa tensão (BT), media tensão (MT), alta tensão (AT) e muito alta tensão (MAT).

Tabela 1 - Níveis de Tensão e respetivos valores


A Tabela 2 indica a limitação dos trabalhos em linhas de MT e AT conforme as condições

 atmosféricas:
Tabela 2

Nas redes de BT as condições atmosféricas não tem grande relevância pois normalmente encontram-se dentro de edifícios, como quadros eléctricos, ou armários na via publica devidamente acondicionados.

Métodos de trabalhos em tensão:
As normas CEI 60743 e a EN 5110 descrevem três métodos conforme a posição do executante em relação às peças em tensão e aos meios que utiliza.
São eles o Método à Distância, o Método Potencial e o Método ao Contacto, quando num mesmo trabalho  há combinação de dois ou dos três métodos tem-se o Método Global.

Método à Distância: Neste método, o executante mantém permanentemente uma distância igual ou superior à distância mínima de aproximação entre as suas mãos  ou qualquer parte do corpo, e as peças em tensão.
A protecção do executante é assegurada por meio de varas ou outros equipamentos dotados de isolamento adequado ao nível de tensão das peças em que se está a efectuar a intervenção, com as ferramentas fixadas nas extremidades, por equipamentos apropriados.

Método Potencial: Neste método, o executante penetra na zona de tensão ou zona "interdita". Realiza a intervenção em contacto eléctrico com a peça em tensão, após se ter intencionalmente colocado ao potencial da peça e estar convenientemente isolado em relação às peças adjacentes a potenciais diferentes do seu.
A sua protecção é feita por meio de equipamentos isolantes, fundamentalmente plataformas isolantes (elevatórias ou fixas).

Método ao Contacto: Neste método o executante entra na zona entre as peças de tensão e a distância mínima de aproximação e trabalha em contacto directo com as peças em tensão através de equipamentos de protecção.
Atualmente o método utilizado em MT e AT é o método à distância.

Regime Especial de Exploração (REE):
É a situação em que é colocado um elemento de rede ou uma instalação durante a realização de trabalhos em tensão, a fim de diminuir as consequências de um eventual incidente e de evitar reposições de tensão automáticas ou voluntárias no seguimento do disparo das protecções.
O regime B é concebido para o caso em que a operação consiste em ligar (ou separar) electricamente duas saídas alimentadas pelo mesmo.
O regime A é concebido para as outras operações, com excepção das que conduzam ao estabelecimento ou à supressão da ligação entre transformadores Alta Tensão/Média Tensão ou Média Tensão/Média Tensão.
REE A e B asseguram (em comum) as seguintes situações:

1. disparo automático do(s) disjuntor(es) que protege(m) a Zona de Trabalhos, em caso de ocorrência de um defeito na instalação onde o trabalho decorre;
2. supressão de todas as religações automáticas da(s) saída(s) afectada(s) pelo trabalho;
3. eliminação das temporizações das protecções selectivas dessa(s) saída(s);
4. REE A - a orientação, em prioridade para a saída afectada, da ordem de disparo dada pelo dispositivo detector de "terras resistentes" do transformador onde está ligada a referida saída. O disparo dessa saída deve ser temporizado, no máximo, para um tempo de 1,5 s.
REE B - a orientação, em prioridade para as saídas afectadas, da ordem de disparo dada pelo dispositivo detector de "terras resistentes" dos transformadores onde estão ligadas as referidas saídas. A temporização das protecções relativas a essas saídas deve ser eliminada.

Processo de trabalho TET:
1. Verificação no terreno se é possível ou não executar as tarefas pedidas em TET;
2. Pedido de Autorização de Intervenção em Tensão (AIT);
3. Elaboração do plano de trabalhos;
4. Arranjo e delimitação da zona de trabalhos;
5. Contacto com o responsável de exploração, para validação da AIT;
6. Informação aos executantes;
7. Preparação dos equipamentos e materiais necessários à intervenção;
8. Execução das tarefas TET;
9. Desmontagem e arrumação dos equipamentos utilizados;
10. Entrega da instalação;

Tarefas TET MT mais comuns são:
- Abertura e fecho de “arcos”;
- Manutenção de seccionadores;
- Substituição de isoladores/cadeias de isoladores;
- Montagem de apoio em alinhamento;
- Colocação/remoção de travessas;

As operações que tivemos oportunidade de observar no local foi a montagem de dispositivos de protecção aves e fauna (DPA), a equipa TET formada por 4 homens cujo as habilitações do chefe de trabalho da equipa verificamos serem: B2TC-M2TD-A2V. Esta habilitação é codificada por letras maiúsculas e índices numéricos o qual a designação referente indica: B- habilitação para intalações de BT, T- indica que o titular pode "trabalhar em tensão", a seguir à letra T deve ser indicada a letra correspondente ao método de trabalho para o qual o trabalhador está habilitado, neste caso a letra C indica método ao contacto, e a letra D método à distância. A letra A habilita o trabalhador a intervir em instalações de AT, finalmente a letra V declara que o titular pode trabalhar na vizinhança de tensão. No que toca aos índices numéricos,  2 autoriza os eletricistas que poderão ser designados para chefiar trabalhos.

Neste tipo de trabalhos poderão ocorrer acidentes, alguns deles com perda de vida, como tal, os Princípios Gerais da Prevenção devem ser tidos em conta, são eles:

1º Evitar o risco: Eliminar o risco constitui a atitude primeira a assumir no âmbito da prevenção traduzida nas seguintes acções: Ao nível do Projecto -Previsão do risco e sua supressão definitiva através de adequadas soluções de concepção; A nível da Segurança Intrínseca - Selecção dos produtos, equipamentos e materiais de que esteja excluído o risco; Ao nível dos Métodos e Processos de Trabalho - Organização do trabalho de que resulte a ausência de risco.

2º Avaliar os riscos que não possam ser evitados: Uma vez identificados, os riscos que não puderam ser evitados deverão ser avaliados. A avaliação dos riscos levará a caracterizar o fenómeno em presença quanto à sua origem, natureza e consequências nocivas na segurança do trabalho e na saúde do trabalhador.

3º Combater os riscos na origem: A eficácia da Prevenção é tanto maior quanto mais a intervenção se dirigir para a fonte do risco: Elimina a propagação do risco, ou reduz a sua escala; Evita a potenciação de outros riscos, bem como o recurso a processos complementares de controlo.

4º Adaptar o trabalho ao homem: Este princípio aponta a necessidade de se intervir ao nível dos componentes materiais no trabalho, nomeadamente: ferramentas, equipamentos; métodos, processos ou espaços de trabalho, tendo em consideração as capacidades e características do homem.

5º Atender ao estado de evolução da técnica, no que respeita ao processo produtivo: Escolher componentes isentos de perigo ou menos perigosos; Substituir componentes perigosos por outros menos perigosos ou isentos de perigo; Escolher equipamentos mais eficazes face ao risco, mais adequados ao trabalho e mais adaptados ao homem.

6º Substituir o que é perigoso pelo que é isento de perigo ou menos perigoso.

7º Planificar a prevenção com um sistema coerente que integre a técnica, a organização do trabalho, as condições do trabalho, as relações sociais e a influência dos factores ambientais no trabalho.
Da implementação de medidas organizativas deverá resultar um efeito positivo ao nível da prevenção dos riscos profissionais, nomeadamente: isolar / afastar a fonte de risco; eliminar / reduzir o tempo de exposição ao risco; reduzir o numero de trabalhadores expostos ao risco; eliminar a sobreposição de tarefas incompatíveis; e em geral, integrar as diversas medidas de prevenção num todo coerente.

8º Prioridade da protecção colectiva face à protecção individual: Este principio deverá ser equacionado se, e só se, a eliminação do risco não for, tecnicamente, possível.
A implementação da protecção colectiva consiste numa acção estabelecida preferencialmente ao nível da fonte de risco.
A protecção individual, por sua vez, constitui uma opção resultante de não se conseguir controlar eficazmente o riso, pelo que apenas se torna possível proteger o homem. Pode, ainda, justificar-se como medida de reforço de prevenção como medida de reforço de prevenção face a um risco residual (previsível ou inevitável).
A este nível, deverão elaborar-se Cartas de Risco Profissional, que identificam as actividades e as condições habituais em que o trabalho é desenvolvido e os agentes físicos e químicos a que o trabalhador pode eventualmente estar exposto, com risco para a sua segurança e saúde.
Tendo em consideração as actividades mais relevantes e, consoante os riscos identificados, bem como as partes do corpo que possam ser atingidas, é definido o equipamento de protecção individual a atribuir a cada trabalhador.
As características do equipamento devem ter em conta, não apenas o tipo e frequência de exposição ao risco, mas também o conforto. 

9º Dar instruções adequadas aos trabalhadores: A formação e informação dos trabalhadores sobre os riscos a que se encontram expostos e a medidas de prevenção a adoptar nos processos operatórios é essencial para que o mesmo adopte comportamentos seguros e aplique os procedimentos de segurança. Neste âmbito, deverá ser elaborado e mantido, um plano de formação e informação em prevenção de riscos.

Nos TET, a probabilidade de acidentes existe, mas é minorada pela obediência ao preceituado estabelecido. As estatísticas confirmam que é seguro trabalhar em tensão: em 26 anos de actividade (1982 a 2009). Não houve acidentes mortais em MT/AT. Em 2009 aconteceu o 1º caso mortal.
O gráfico 1 mostra a evolução dos acidentes envolvendo executantes TET em trabalhos na MT e na AT desde 2000 até 2010.

Gráfico 1


O papel do Técnico Superior de Higiene Segurança no Trabalho (TSHST):
A alínea a) do Artigo 2º - Conceitos - do Capítulo I – Disposições Gerais - do Decreto-Lei 110/200 de 30 de Junho, define o Técnico Superior de Segurança e Higiene do Trabalho como “o profissional que organiza, desenvolve, coordena e controla as actividades de prevenção e de protecção contra riscos profissionais”.
Devem desenvolver as suas actividades de acordo com princípios deontológicos descriminados no Ponto 1 do Artigo 4º - Deontologia Profissional:

a) Considerar a segurança e saúde dos trabalhadores prioritários da sua intervenção;
b) Basear a sua actividade em conhecimentos científicos e competência técnica e propor a intervenção de peritos especializados, quando necessário;
c) Adquirir e manter a competência necessária ao exercício das suas funções;
d) Executar as suas funções com autonomia técnica, colaborando com o empregador no cumprimento das suas obrigações;
e) Informar o empregador, os trabalhadores e seus representantes, eleitos para a segurança, higiene e saúde no trabalho, sobre a existência de situações particularmente perigosas que requeiram uma intervenção imediata;
f) Colaborar com os trabalhadores e os seus representantes, incrementando as suas capacidades de intervenção sobre os factores de risco profissional e as medidas de prevenção adequadas;
g) Abster-se de revelar segredos de fabricação, comércio ou processos de exploração de que, porventura, tenham conhecimento em virtude do desempenho das suas funções;
h) Proteger a confidencialidade dos dados que afectem a privacidade dos trabalhadores;
i) Consultar e cooperar com os organismos da rede nacional de prevenção de riscos profissionais.

Os TSHST têm um vasto conjunto de funções, a que correspondem actividades essenciais ao seu perfil profissional, definido em articulação entre a entidade certificadora e o sistema nacional de certificação profissional, designadamente: 
- Planeamento e na implementação do sistema de gestão de prevenção da empresa; 
-Avaliação de riscos profissionais; 
-Desenvolver e implementar medidas de prevenção e de protecção; 
-Colaborar na concepção de locais, postos e processos de trabalho; 
-Colaborar no processo de utilização de recursos externos nas actividades de prevenção e de protecção; 
-Assegurar a organização da documentação necessária ao desenvolvimento da prevenção na empresa; 
-Colaborar nos processos de informação e formação dos trabalhadores e demais intervenientes nos locais de trabalho; 
-Integrar a prevenção no sistema de comunicação da empresa;
-Colaborar no desenvolvimento de processos de consulta e de participação dos trabalhadores; 
-Colaborar no desenvolvimento das relações da empresa com os organismos da rede de prevenção; 
-Colaborar na análise de relatórios sobre a qualidade ambiental: água, ar e solos; 
-Colaborar com empresas no estudo de uma possível implementação de tecnologias limpas;

 Reflexão:
O processo de realização de trabalhos em tensão é um processo complexo e de elevada exigência organizacional, tal como nos foi possível observar na auditoria que realizamos.

São nos dias de hoje trabalhos indispensáveis à manutenção, conservação e modificação das redes de energia elétrica, dado garantirem a continuidade de serviço e consequente aumento da qualidade de serviço.
O facto de em geral os trabalhos TET serem de curta duração, e em locais geográficos distintos e de difícil acesso, o carro onde onde nos fizemos deslocar não está preparado para todo o terreno como tal tivemos que o deixar bastante longe do local onde se realizava o trabalho. 
Estes fatores levam à necessidade de uma coordenação exigente e eficaz das equipas no terreno, a coordenação de trabalhos deve ser previamente prevista de forma a minimizar os seus custos.
O processo TET requer uma atualização constante da documentação desde a elaboração e atualização dos “dossiers” das CET’s, Fichas Técnicas e Modos Operatórios, planos de trabalhos e relatórios, bem como a própria atualização das bases de dados de trabalhos e faturação, o responsavel de trabalhos deve fazer-se sempre acompanhar por este conjunto de documentos.
Nesta auditoria constatamos que o chefe de equipa tinha consigo toda a documentação, e tivemos também a oportunidade de analisar estes documentos convenientemente. 


Muito Obrigado, até breve….




Bibliografia:
1. Distribuição, EDP. Regulamento de Consignações. Portugal, Outubro de 2005.

2. FREMAP - Mutua de Accidentes de Trabajo y Enfermedades. [Online] [Citação: 14 de Março de 2014.] http://www.fremap.es/SiteCollectionDocuments/BuenasPracticasPrevencion/Manuales/017/DVD.017portugues.pdf.

3. Sargaço, José dos Santos. Trabalhos em Tensão. [Online] 2006/07. [Citação: 14 de Março de 2014.] http://paginas.fe.up.pt/~ee05235/poster_TET.pdf.

4. Santana, Luís Miguel do Nascimento. Avaliação de Riscos de Trabalhos em Tensão em Instalações Eléctricas de Média Tensão. Beja : s.n., 2011.

5. Distribuição, EDP. TRABALHOS EM TENSÃO - Alta Tensão – Método à distância; Condições de Execução do Trabalho. [Online] Fevereiro de 2009. [Citação: 13 de Março de 2014.] https://cld.pt/dl/download/5b932ea8-4da8-4dad-ba09-340d2ddddf40/DCE-C18-529N%20(Trabalhos%20TET).pdf.

6. Interempresas, SPSI – Serviço Prevenção e Segurança. MANUAL DE SEGURANÇA- PREVENÇÃO DO RISCO ELÉCTRICO. s.l. : EDP- SISTEMA DE GESTÃO DA SEGURANÇA, 24/01/2002.













quinta-feira, 13 de março de 2014

Descrição da empresa


A EDP é uma das empresas líder no setor da energia e uma das maiores empresas em Portugal, integra na sua cultura valores e compromissos com os seus clientes, com as pessoas e com o ambiente. 

A EDP trabalha constantemente de forma a ser uma empresa global de energia, líder em criação de valor, inovação e sustentabilidade, é partilhada pelo universo dos colaboradores espalhados por diferentes continentes e países, uma diversidade que enriquece a empresa nos diferentes mercados onde está presente. 
A EDP está entre as grandes empresas europeias do sector da energia, sendo um dos maiores operadores energéticos da Península Ibérica, o maior grupo industrial português e o 3º maior produtor mundial de energia eólica.

A EDP tem hoje uma presença relevante no panorama energético mundial, estando presente em 13 países, contando com mais de 9,6 milhões de clientes de energia eléctrica e 1,3 milhões de pontos de ligação de gás e mais de 12 mil colaboradores em todo o mundo. Em 31 de Dezembro de 2011, a EDP detinha uma capacidade instalada de 23,2 GW, tendo produzido cerca de 58,4TWh, dos quais 63% com origem em recursos renováveis. 

Dados Ibéricos 2012:





Como podemos verificar no gráfico acima, Portugal recorre em maior porção no que toca ao recurso às energias renováveis em relação  à vizinha Espanha.

A EDP orgulha-se ainda de integrar os índices de Sustentabilidade Dow Jones de Sustentabilidade (World e STOXX), os mais exigentes do mundo, que distinguem as companhias com melhor desempenho nas questões ligadas à transparência, sustentabilidade e excelência na gestão económica, ambiental e social.     

 O sistema eléctrico nacional (SEN) é constituido pelas seguintes áreas de actividade:




EDP DISTRIBUIÇÃO

Uma das empresas do grupo EDP, é a EDP Distribuição, empresa esta onde estou a desenvolver este estágio curricular.



A EDP Distribuição exerce a atividade de operador de rede de distribuição, em Portugal continental, sendo titular da concessão para a exploração da Rede Nacional de Distribuição (RND) de energia elétrica em Média Tensão (MT) e Alta Tensão (AT) e de concessões municipais de distribuição de energia elétrica em Baixa Tensão (BT) 

A missão:
-Garantir a expansão e a fiabilidade da rede - Ligar clientes e produtores à rede de distribuição, planear, desenvolver, operar e manter a rede;
-Garantir o abastecimento de eletricidade - Abastecer os clientes dos comercializadores, cumprindo os objetivos regulatórios de qualidade e de tempos de interrupção de energia;
-Fornecer serviços aos comercializadores - Garantir os serviços, tais como, mudança de comercializador (switching), cortes, alterações de potência, leituras, etc.

Acredito que com esta publicação tenham ficado a conhecer um pouco mais sobre a EDP, bem como sobre a EDP Distribuição. Deixo-vos com um video institucional da EDP Distribuição, espero que gostem e até à próxima  publicação.

Até Já :)  ....



Fontes bibliográficas: 

domingo, 9 de março de 2014

Cá estamos novamente :) !!


Como foi referido anteriormente este blogue foi criado no decorrer do estágio curricular III, referente ao quarto ano da licenciatura em Saúde Ambiental. Tendo em vista o desenvolvimento, melhoramento e consequente enriquecimento desta ferramenta vou procurar dar-lhe o melhor seguimento no estágio IV que irá decorrer no segundo semestre do ano lectivo 2013/2014.
Estágio esse que será realizado na empresa EDP Distribuição, colaborando na área da segurança e saúde no trabalho. 

As minhas expectativas são altas pois poderei finalmente trabalhar e aprender naquela que  é a área que mais me apaixona no mundo da saúde ambiental.
Parto para este estágio com a convicção de fazer melhor do que havia feito anteriormente naquilo que toca ao conteúdo e desenvolvimento das publicações aqui expostas, pois defronto esta etapa, com a experiência do primeiro estágio e consequentes publicações. Trabalharei de forma a dar o meu melhor para que o conteúdo deste blogue seja útil e esclarecedor a todos aqueles que o seguem.

Um Muito Obrigado, até já :) ....



segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Chegou ao fim mais um Estágio!!

Ao chegar ao fim desta etapa sinto que ainda tenho um longo caminho a percorrer enquanto futuro técnico de Saúde Ambiental, mas posso afirmar que já me sinto no decorrer desse percurso. Chego ao fim também com a plena consciência de que dei o melhor de mim em todas as actividades que me foram propostas e com a convição que se as desenvolvesse novamente o faria de forma mais correcta e eficaz, resultado da aprendizagem que me foi possibilitada.
 Estágio III fez parte do quarto e ultimo ano da licenciatura em Saúde Ambiental, decorreu desde o dia 30 de Setembro ao dia 29 de Novembro de 2013 numa Unidade de Saúde Pública.
Este estágio foi importante no sentido em que me permitiu aplicar e consolidar muitos dos conhecimentos adquiridos, ao longo de quase três anos e meio de licenciatura já decorridos até aqui. A realização destas actividades foram para mim bastante enriquecedoras pois nas unidades de saúde pública o Técnico de Saúde Ambiental trabalha nas mais diversas áreas. No entanto aquelas que mais me agradaram foram as do âmbito da promoção e educação para a saúde em que tive oportunidade de poder transmitir a mensagem directamente àqueles à qual esta se destinava.
Uma experiência totalmente nova para mim directamente associada a este estágio foi a criação deste blogue, espero poder dar-lhe continuidade com novas publicações deste mundo tão fascinante que é o da Saúde Ambiental.
Não posso terminar esta publicação sem agradecer às pessoas que possibilitaram a realização deste estágio Curricular III, e que das mais diversas formas contribuíram para o meu crescimento pessoal e profissional. Um muito obrigado à Professora Raquel Rodrigues dos Santos, à Dr.ª Anabela Barradas, à Dr.ª Daniela Duarte e por fim mas não menos importante à Dr.ª Cristina Soares, um desde já muito obrigado também aos colegas Ana Machado e Luís Pato pela camaradagem demonstrada nesta tão enriquecedora experiência que passamos juntos.
Pois nestes já três anos e meio de Licenciatura aprendi que Saúde Ambiental é mais que uma licenciatura ou um mercado de trabalho, Saúde ambiental é uma forma de estarmos na vida, e contribuir para um ambiente melhor e mais saudável, ou seja Na vida em Saúde Ambiental!!!
Muito Obrigado….                                                       


                                                          Miguel Lampreia                               

Promoção e Educação para a Saúde

No que respeita à área da promoção e educação para a saúde, a Administração Regional de Saúde, em colaboração com as pré-escolas e escolas até ao 12º ano, têm vindo a desenvolver acções de modo a promover a saúde junto dos alunos.
Nesta publicação vamos falar mais uma vez de actividades desenvolvidas junto de escolas do distrito de Beja. Estas foram levadas a cabo por mim e pelos meus colegas de estágio. Uma das actividades foi desenvolvida junto de uma turma de 10º ano do Ensino Secundário do distrito de Beja. O tema abordado junto desta turma foi o das energias renováveis, à qual demos a designação de “Energia Jovem” pois entendemos que os jovens são de suprema importância no presente e no futuro no que toca ao desenvolvimento destas jovens energias.
O objectivo desta acção é a consciencialização sobre as alternativas aos recursos não renováveis, e que se promova a implementação e utilização de recursos renováveis, neste caso das energias renováveis, sendo que estas trarão mais benefícios, não só para a saúde mas também para o meio ambiente.

A actividade consistiu numa apresentação em power point das diferentes energias renováveis existentes, explicando os benefícios destas em detrimento nas energias não renováveis, a apresentação será exposta nesta publicação mais à frente para que a possam consultar, foi ainda feita uma demonstração de um carro movido através de painéis solares. 

Fig.1 Apresentação da actividade Energia Jovem
Fig.2 Carro movido a luz solar 

                             
                                       Energia jovem from Luís Filipe Pato
De acordo com os dados do gabinete de estatísticas europeu, a percentagem de energia proveniente de fontes renováveis na UE tem vindo a aumentar: em 2004 era de 7,9%, em 2006 de 8,5%, em 2008 de 9,6%, em 2010 de 12,1%  e em 2011 de 13%. As percentagens de energias renováveis mais elevadas, em 2011, pertenceram à Suécia (46,8%), à Letónia (33,1%), Finlândia (31,8%), enquanto as mais baixas foram observadas em Malta (0,4%), Luxemburgo (2,9%) e Reino Unido (3,8%). Portugal registou, em 2011, a sexta percentagem mais elevada (24,9%) entre os Estados-membros, um crescimento em relação aos 22,7% observados um ano antes. Desde 2004 (últimos dados disponibilizados pelo Eurostat), Portugal tem vindo a aumentar a sua quota de energias renováveis. Em 2004, a percentagem de energia de fontes renováveis representava, em Portugal, 19,3% do consumo final bruto de energia, em 2006 de 20,6% e em 2008 de 22,3%. 
A estratégia da UE para lutar contra as alterações climáticas tem como  objetivo aumentar para 20% a quota das energias renováveis até 2020. 
Valores ao qual acredito que com as devidas ações de sensibilização e informação podem ser ultrapassados.

Aprender com segurança

Outra das actividades foi efectuada numa escola primária onde foi abordada a temática da segurança designada de “Aprender com Segurança”. Esta actividade teve como objectivo alertar e prevenir as crianças para os perigos que correm e como deverão preveni-los nos mais variáveis meios onde se movem. A apresentação foi toda ela feita através de power point, com explicações de casos práticos com que se deparam no dia a dia e através de vídeos ilustrativos, para que possam ter uma real noção do trabalho desenvolvido. 
Deixo em seguida o trabalho apresentado.  

Fig.3 Apresentação de actividade Aprender com Segurança


                              
                                        Segurança na escola from Luís Filipe Pato
Segundo um estudo efectuado no Peru e publicado por um jornal nesse país “Noticias da América Latina e Caribe”, oito por cento dos menores revela o seu correio eletrônico a qualquer pessoa e mais de 5% já foi assediado por uma pessoa que conhecem através da Internet. Estas duas estatísticas dão uma idéia do perigo que existe ao redor dos avanços da rede mundial de computadores, em especial o facto dos delinquentes sexuais fazerem uso das redes sociais para assediarem menores . Segundo a última pesquisa "Opinando em Grande", realizada pela organização "Ação pelas Crianças", juntamente com o instituto de pesquisa IMASEN, num universo de 413 crianças entre 11 e 17 anos, de 36 distritos de Lima Metropolitana e Callao, mais de 41% das crianças e adolescentes acede à Internet de diariamente e interdiária. A isso, se deve acrescentar que muitas crianças (89%) preferem aceder às redes sociais através de uma cabine pública, mas com privacidade (44%).

O mais grave é que 76,2% acedem à Internet sem a supervisão de um adulto e apenas 21,2% têm algum tipo de controle familiar. Do total, 64,4% navegam de uma a duas horas por dia. A maioria, 55%, navegam pela rede com o objetivo de conversar, 41,6% para jogar, 27,2% para buscar informações, 24,1% para aceder ao correio eletrônico e só 20,2% para estudar.
As crianças, como crianças que são, não têm muitas vezes noções dos perigos que correm, como tal cabe-lhes a nós protege-las para que possam crescer felizes, seguras e com saúde...

Muito Obrigado...!!! 

Fontes Bibliográficas:
- Circular Normativa nº 7/DSE, de 29/06/2006:
http://www.dre.pt/pdf1s/1995/05/125A00/33783380.pdf
- Decreto-Lei nº 117/1995, de 30 de Maio:
http://www.dre.pt/pdf1s/1995/05/125A00/33783380.pdf
- World report on child  injury prevention. World Health Organization, 2004:
http://www.unicef.org/eapro/World_report.pdf
Diretiva Comunitária 2009/28/CE de 23 de Abril de 2009:
http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2009:140:0016:0062:pt:PDF
- EU energy figures- STATISTICAL POCKETBOOK 2013:
http://ec.europa.eu/energy/publications/doc/2013_pocketbook.pdf
- Renováveis- Estatísticas Rápidas- Agosto 2013:
http://www.dgeg.pt/
















domingo, 8 de dezembro de 2013

Colheita de águas para hemodiálise...

Nesta publicação vamos falar de colheita de águas para hemodiálise uma das actividades à qual tive a oportunidade de assistir enquanto realizei o estágio na unidade de Saúde Publica.
De forma a assegurar um nível de qualidade da água que não comprometa a saúde dos utentes, quer sob a forma de acidentes agudos quer crónicos, o Despacho nº 14391/2001 (2ª Série), prevê que sejam realizadas periodicamente análises físico-químicas e microbiológicas. Esta periodicidade inclui determinações diárias, semestrais e anuais. No que diz respeito ao técnico de saúde ambiental, este atua na vigilância da qualidade destas águas, de forma a que estas preencham os requisitos que garantam a sua utilização na hemodiálise.

Procedimentos a realizar na colheita de amostras para análise microbiológica:
-Desligar o ar condicionado para evitar a contaminação da amostra com microrganismos provenientes do mesmo;
-Vestir a bata e calçar as botas descartáveis;
-Colocar a máscara e luvas;
-Colocar isopropanol a 70% numa compressa e desinfetar a torneira;
-Abrir a torneira, e com escoamento prévio, encher o frasco de 1 Litro, junto da torneira, sempre com o interior da tampa virado para baixo;
-Fechar o frasco junto da torneira e seguidamente fechar a torneira;
-Identificar a amostra e colocá-la na mala térmica;
-Retirar as luvas e a máscara;
-Medir os parâmetros de campo: pH, temperatura e cloro residual livre;
-Preencher a requisição de análise da água.
Segundo o Manual de Boas Práticas de Hemodiálise a concentração máxima admitida de cloro residual livre é de 0,5 mg/L, sendo a concentração ótima a mais próxima de 0 mg/L.
Nas figuras 1 e 2 são apresentados os parâmetros, segundo o Despacho nº 14391/2001, que devem ser monitorizados na colheita de amostras de água para hemodiálise.
Fig.1 Parâmetros microbiológicos 


Fig.2 Parâmetros físico/químicos

                                                           Fig.3 Colocação de luvas

                                                         Fig.4 Recolha da amostra

A Escola Superior de Tecnologia e Saúde do Porto efectuou um estudo com o objectivo de caracterizar a qualidade de águas de diálise, no período de 07-2009 a 04-2010.
Para que todos tenham uma noção real da importância deste tratamento na vida dos pacientes a que a ele tem que decorrer deixo uma breve informação:
Os rins têm a função de eliminar substâncias tóxicas do organismo através da urina, da excreção de água e sais minerais, do controle da acidez do sangue e da produção de hormonas. Quando os rins sofrem de doença crónica que leva à perda das suas funções, dá-se a insuficiência renal crónica (IRC). A IRC caracteriza-se por uma diminuição da capacidade de eliminar determinadas substâncias do organismo, de manter o equilíbrio de água e sais minerais e de produzir hormonas (Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, 2009; Junior, 2004; Vanholder, et al., 2010).
A água utilizada na preparação do dialisante foi, até à década de 70, a mesma que servia para o consumo humano, julgando-se que a água potável da rede servia para este fim. Contudo, esta água contém contaminantes patogénicos que, não sendo perigosos para a população comum, quando ingerida, podem representar um enorme risco para os insuficientes renais, uma vez que esta água entra directamente na circulação sanguínea, tendo apenas uma barreira permeável não selectiva, não passando pelas barreiras naturais do sistema digestivo (Hoenich, 2003; Lamas, et al., 2006; Silva, et al., 1996; Ward, 2004).

Nas amostras, à entrada do tratamento, verificou-se que em 100% destas se encontravam inconformidades  nos parâmetros microbiológicos e 53,85% apresentavam inconformidades nos parâmetros químicos. Após tratamento, 6,41% continuavam a apresentar inconformidades nos parâmetros microbiológicos e todas as amostras recolhidas apresentavam valores em conformidade nos parâmetros químicos. 
Conclui-se que o tratamento tem elevado grau de efectividade.

Muito Obrigado...!!!

Fontes bibliográfica:
- Despacho nº 14391/2001 (2ªsérie), de 10 de Julho:
https://www.ers.pt/uploads/document/file/200/13.pdf
 - Manual de Boas Práticas de Hemodiálise:
 http://www.spnefro.pt/noticias/PDFs/2006_noticia_02_anexo_II.pdf
- Repositório cientifico do Instituto Politécnico do Porto: