domingo, 8 de dezembro de 2013

Estabelecimento de comércio e retalho de carnes e produtos à base de carne;

Nesta publicação irei voltar ao tema da segurança alimentar. Uma das funções do Técnico de Saúde Ambiental, atuando como representante da autoridade de saúde pública, é a realização de vistorias a estabelecimentos, efectuando o controlo das condições higio-sanitárias, como mencionado no Decreto-lei n.º 82/2009 de 2 de Abril. Este estabelece as regras de designação, competência e funcionamento das entidades que exercem o poder de autoridade de saúde. O artigo 5º do mesmo Decreto, alínea a) ponto 3, refere “Vigiar o nível sanitário dos aglomerados populacionais, dos serviços, estabelecimentos e locais de utilização pública e determinar as medidas correctivas necessárias à defesa da saúde pública
No dia catorze de Novembro de 2013, foi efectuada uma vistoria a um estabelecimento de comércio e retalho de carnes e de produtos à base de carne, de forma a avaliar essas mesmas condições. De acordo com tudo o que foi visualizado na vistoria e com base na legislação em vigor:
  • Decreto-Lei nº 207/2008 de 23 de Outubro, que procede à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 147/2006, de 31 de Julho, que aprova o Regulamento das Condições Higiénicas e Técnicas a Observar na Distribuição e Venda de Carnes e Seus Produtos;
  • Decreto-Lei nº243/1986 de 20 de Agosto, que aprova o regulamento geral de higiene e segurança do trabalho nos estabelecimentos comerciais de escritório e serviços;
  • Portaria nº 1456-A/1995 de 11 de Dezembro, que regulamenta as prescrições mínimas de colocação e utilização da sinalização de segurança e saúde no trabalho;
  • Informação Técnica da Direção Geral de Saúde de 2/2010, relativa à Emergência e Primeiros Socorros em Saúde Ocupacional.

Com base na legislação anteriormente descrita, verificaram-se as seguintes anomalias:
a)     Quadro eléctrico sem legenda e sem sinalização de “perigo de electrocussão”.
b)     Placa de sinalização de emergência sem pictograma;
c)      Inexistência estojo de primeiros socorros;
d)     Ausência de vestiários e instalações sanitárias do pessoal;
e)      As lâmpadas destinadas à iluminação do estabelecimento não possuem dispositivos de proteção;
f)       Ausência de rede mosquiteira na janela;
g)     O recipiente de despejo dos subprodutos, aparas, gorduras e ossos não tem tampa;
h)    Os aparelhos e utensílios utilizados no corte da carne e seus produtos, fiambreira, picadora, facas e cutelos não se encontram eficazmente protegidos;
i)       As superfícies de corte dos produtos à base de carne (fiambre, paios e outros), não se encontram protegidas por película alimentar aderente;
j)       Inexistência de termómetro num dos expositores frigoríficos;
k)     Vitrina sem porta de correr;
l)       A mesa de corte não permite uma adequada raspagem, lavagem e desinfecção;
m)   Inexistência de armário para armazenagem de detergentes e outros materiais de limpeza;
n)    Existência de material obsoleto na área de trabalho (bancada de atendimento) e na sala de arrumos.
o)     O trabalhador não apresentava o vestuário adequado;

Medidas propostas:
a)     Dotar os disjuntores do quadro elétrico de legenda adequada, bem como de placa de sinalização de perigo de eletrocussão;
b)     Proceder à substituição da placa de sinalização de saída de emergência por placa com pictograma;
c)      Adquirir um estojo/caixa de primeiros socorros, com conteúdo adequado e colocar em local acessível e devidamente sinalizada com placa foto luminescente;
d)     Deve ser prevista a criação de uma instalação sanitária devidamente equipada, bem como uma zona de balneário/vestiário dotada de armário vestiário;
e)     Dotar as lâmpadas do estabelecimento de dispositivos contra queda e rebentamento proteção
f)       Colocar rede mosquiteira na janela do estabelecimento;
g)     Munir o recipiente de despejo dos subprodutos, aparas, gorduras e ossos por recipiente com tampa e accionado por pedal;
h)    Acondicionar os aparelhos e utensílios utilizados no corte da carne e seus produtos, fiambreira, picadora, facas e cutelos de forma a protege-los dos insectos, poeiras e outros agentes de contaminações e conspurcações;
i)       Dotar as superfícies de corte dos produtos a base de carne (fiambre, paios e outros), com película alimentar aderente;
j)       Colocar termómetro no expositor frigorífico que não está munido deste aparelho;
k)     Dotar a vitrina de portas de correr;
l)       Substituir tampo da mesa de corte;
m)  Munir de armário de material liso, lavável e resistente à corrosão para armazenagem de detergentes e outros materiais de limpeza;
n)    Retirar material obsoleto da área de trabalho (bancada de atendimento) e da sala de arrumos.
o)     O trabalhador deve utilizar, avental de material impermeável, proteção de cabeça (gorro, boné ou toca), calçado impermeável e de fácil lavagem e desinfecção.

22 de Novembro 2013



 A Defesa do Consumidor, DECO-PROTESTE, em Março de 2013, realizou um estudo sobre 34 amostras de carne picada e vendida a granel em talhos da Grande Lisboa e do Grande Porto.
No que diz respeito à higiene o estudo da DECO foi devastador, pois foi detectada listéria em 35% das amostras e salmonelas em 25%. Mas se esta contaminação a nível microbiológico se resolve cozinhando bem a carne, o mesmo não acontece com os sulfitos, que provocam reacções alérgicas e, em pessoas vulneráveis, também asma. Os sulfitos são conservantes absolutamente proibidos na carne picada fresca. Mesmo nos preparados de carne congelada apenas é permitida a utilização de 2 miligramas por quilo. Neste estudo foram detectados valores 100 a 200 vezes superiores aos permitidos.

Enquanto cidadão e futuro Técnico de Saúde Ambiental os resultados deste estudo deixam-me bastante preocupado, pois os resultados obtidos são prova de que as normas de segurança alimentar não estão a ser cumpridas podendo colocar em risco a saúde da população. No entanto é com agrado que ao efectuar mais pesquisas relacionadas com o tema deparo com uma noticia do jornal o Público datada de 16 de Abril de 2013 que dá conta  que a Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) estão a analisar 1477 talhos em todo o país e a recolher amostras de carne picada para verificar a existência, ou não, de sulfitos ou outras substâncias proibidas no produto. Depois de a Deco ter feito, por conta própria, uma análise à carne de 34 talhos de Lisboa e Porto, - dados que dei conta anteriormente - o Governo decidiu avançar com uma operação nacional para detectar más práticas. Em causa estão mais de 15% dos talhos licenciados em Portugal continental e o número de amostras a recolher varia consoante a região e em função do risco identificado pelas autoridades.
Na mesma noticia pode ler-se ainda que Nuno Vieira e Brito, secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-Alimentar, adiantou que além desta acção de fiscalização, que decorre entre Abril e Maio, o executivo vai criar uma plataforma de diálogo entre todas as entidades envolvidas nas questões de segurança alimentar.
A intenção é reunir consumidores, agricultores, inspecção económica e veterinária, e grande distribuição.
A plataforma, que será constituída em breve, pode ainda pedir à European Food Safety Authority (EFSA) que faça estudos mais aprofundados sobre o tema. Em suma, "terá uma análise crítica e construtiva do que é a nossa legislação da área alimentar, ajustando-a às necessidades e realidades de agora, nunca pondo em causa os temas de segurança alimentar e juntando todos, produtor, consumidor e grande distribuição".
Espero com elevada expectativa que a plataforma a ser criada venha a contribuir para uma melhoria da segurança alimentar no nosso país, pois  como os resultados do estudo da DECO demonstram ainda temos um longo caminho a percorrer. 

Muito obrigado…!!!


Fontes bibliográficas: 
  • Decreto-Lei nº 207/2008 de 23 de Outubro, que procede à primeira alteração ao Decreto-Lei n.º 147/2006, de 31 de Julho, que aprova o Regulamento das Condições Higiénicas e Técnicas a Observar na Distribuição e Venda de Carnes e Seus Produtos;
  • Decreto-Lei nº243/1986 de 20 de Agosto, que aprova o regulamento geral de higiene e segurança do trabalho nos estabelecimentos comerciais de escritório e serviços;
  • Portaria nº 1456-A/1995 de 11 de Dezembro, que regulamenta as prescrições mínimas de colocação e utilização da sinalização de segurança e saúde no trabalho;
  • Informação Técnica da Direção Geral de Saúde de 2/2010, relativa à Emergência e Primeiros Socorros em Saúde Ocupacional.
  • Deco-Proteste: http://www.deco.proteste.pt/
  • Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária:http://www.dgv.min-agricultura.pt
  • Autoridade de Segurança Alimentar e Económica: http://www.asae.pt/


Vigilância Sanitária de Águas de Utilização Recreativa

Mais uma vez muito bem vindos ao meu blog, nesta publicação irei falar da Vigilância Sanitária de Águas de Utilização Recreativa, ou mais especificamente de água das piscinas.  O número de utilizadores destes espaços tem vindo a aumentar, especialmente pelos grupos de faixa etária mais baixos, nomeadamente crianças em idade pré-escolar e escolar. Também se tem registado um aumento da utilização destes espaços por grupos de pessoas em fase de terceira idade, pois os benefícios que determinadas actividades desenvolvidas nestes espaços trazem a saúde nesta fase da vida são perfeitamente conhecidos.
Como tal, deve existir uma especial atenção no que se refere aos variados riscos que podem advir para a saúde pública, devido à constante possibilidade de contaminação destas águas, por diversos contaminantes químicos e/ou microbiológicos.

 A Direção-Geral da Saúde criou um programa de vigilância sanitária para as piscinas através da Circular Normativa nº14/DA, de 21 de Agosto de 2009, onde constam variadas noções e procedimentos, visando a avaliação da qualidade da água dos tanques, garantindo a existência de planos de identificação, monitorização e controlo de risco, de modo a eliminar e reduzir os riscos para a saúde dos utilizadores e trabalhadores das piscinas. Este programa de vigilância sanitária abrange as piscinas de Tipo 1 (públicas), Tipo 2 (semi-públicas), sendo excluídas as piscinas de Tipo 3 (uso privado), pois são destinadas a um número reduzido de utilizadores.
No âmbito da vertente tecnológica do programa de vigilância sanitária das piscinas, pretende-se identificar, conhecer e avaliar, as condições de instalação e funcionamento das mesmas (aspectos construtivos, organização dos espaços, revestimentos, circuitos hidráulicos e equipamentos de tratamento de águas, produtos químicos utilizados, higienização da piscina, etc.) e serviços anexos (instalações sanitárias, balneários e vestiários, postos de socorro, etc.), através de vistorias e apreciação de projectos.
A vertente analítica,  pretende aferir acerca da qualidade da água dos tanques, e compreende o planeamento das colheitas, sua realização e posterior análise laboratorial, para pesquisa de indicadores microbiológicos de contaminação e determinação de parâmetros físico-químicos. Alguns parâmetros como o cloro residual livre, cloro combinado, pH e temperatura são determinados localmente aquando das colheitas.

“Segundo o Decreto-Lei n.º 82/2009 de 2 de Abril, compete às autoridades de saúde “vigiar o nível sanitário dos aglomerados populacionais, dos serviços, estabelecimentos e locais de utilização pública e determinar as medidas corretivas necessárias á defesa da saúde publica.”

A vertente epidemiológica é da competência das autoridades de saúde, as quais deverão realizar estudos orientados para a avaliação do risco para a saúde da qualidade da água dos tanques, quando justificados pelos dados analíticos e epidemiológicos, e visa estudar o impacto destes espaços na saúde dos seus utilizadores. 

Fig 1- Piscina coberta
Equipamento necessário à realização de amostras de água de utilização recreativa:













 Procedimento para a Colheita de Amostra de Água para Análise Microbiológica:
Colheita em Superfície:

- Remover com cuidado a tampa do frasco esterilizado, junto à água;
- Encher o frasco à superfície da água, sempre voltado para a frente (o frasco não deve ser enchido totalmente);
- Fechar corretamente o frasco;
- Proceder à devida identificação da amostra na etiqueta colocada no frasco;
- Acondicionar o frasco numa mala térmica, aproximadamente a 4ºC e fazer o seu transporte até um laboratório acreditado;
- Preencher a requisição de análise a ser entregue no laboratório com a identificação da amostra e os parâmetros de campo medidos.
O prazo entre a colheita da água e o início da sua análise não deve ultrapassar as 6 horas e a temperatura deve ser mantida, aproximadamente entre 3 a 5ºC.

Colheita em Profundidade:
- Colocar corretamente as cordas na armação do frasco;
- Submergir o frasco à profundidade pretendida (aproximadamente 1 metro);
- Movimentar a corda que aciona a abertura do frasco (a corda que permite a entrada de água no frasco deve ser puxada apenas quando o frasco estiver completamente submerso);
- Encher o frasco, fechá-lo corretamente e retirá-lo da água;
- Identificar o frasco com a etiqueta e colocá-lo na caixa metálica;
- Colocar na mala térmica a caixa metálica que contém o frasco e transportá-los ao laboratório.
O prazo entre a colheita da água e o início da sua análise não deve ultrapassar as 6 horas e a temperatura deve ser mantida, aproximadamente entre 3 a 5ºC.

As colheitas para análise microbiológica têm como objetivo a determinação dos parâmetros microbiológicos presentes na água. 

As colheita para análise Físico-Química tem como objetivo a determinação dos parâmetros físico-químicos presentes na água, sendo necessário para a realização da colheita um frasco de polietileno.
Procedimento para a Colheita de Amostra de Água para Análise Físico-Química:
- Calçar as luvas;
- Destapar o frasco na proximidade da água, conservando a tampa virada para baixo, sem a pousar no chão;
- Mergulhar o frasco em posição vertical a uma profundidade de cerca de 20 cm, inclinando-o para encher;
- Deslocar o frasco para a frente até ao seu enchimento. O frasco deverá ficar completamente cheio;
- Retirar o frasco, fechá-lo e identificá-lo;
- Colocar o frasco na mala térmica e transportá-lo ao laboratório de imediato;
- Preencher a requisição de análise a ser entregue no laboratório com a identificação da amostra e os parâmetros de campo medidos.
O prazo entre a colheita da água e o início da sua análise não deve ultrapassar as 6 horas e a temperatura deve ser mantida, aproximadamente entre 3 a 5ºC.

Análises de Campo:
Nas análises de campo, devem ser analisados três parâmetros, teor de pH e de cloro residual livre e a temperatura da água. O teor de cloro residual livre varia consoante o valor do pH, ou seja, para um pH dentro do intervalo de 6,9-7,4 o cloro deverá estar no intervalo de 0,5-1,2 mg/L; para um pH dentro do intervalo de 7,5-8 o cloro deverá estar dentro do intervalo 1-2 mg/L. Da mesma forma é favorável que a temperatura da água da piscina, no caso de uma piscina coberta, apresente valores inferiores a 30º C temperatura.

É extremamente importante continuar a trabalhar na vigilância das águas recreativas, deixo em seguida os nomes de algumas doenças transmitidas por águas das piscinas mal cuidadas:
- Pneumonites;
- Gastroenterites,
- Conjuntivites;
-Tumores cutâneos benignos;
- Pé de atleta;
- Leptospirose;
 - Otites;
- Meningites;

Termino esta publicação com um video informativo, referente ao Pé de Atleta, uma das doenças propícias a ser transmitida nas piscinas, principalmente nas piscinas de água quente:


Muito Obrigado...!!! :)

Fontes bibliográficas:
- Direcção-Geral da Saúde (DGS), Circular normativa nº 14/DA, de 21 de Agosto de 2009. Programa de Vigilância Sanitária de Piscinas:
http://ssaude.files.wordpress.com/2010/12/cn14.pdf
- Decreto-Lei n.º 82/2009, de 2 de Abril:
- Organização Mundial de Saúde:
http://whqlibdoc.who.int/publications/2006/9241546808_eng.pdf

IGEOE MAP

Mais uma vez bem vindos ao meu blog, na presente publicação irei falar-vos de uma ferramenta bastante útil com que tive a possibilidade de trabalhar enquanto estagiei na Unidade de Saúde Pública, esta ferramenta é composta por um sistema de dados geográficos chamado de IGEO MAP, cartas de risco sanitário. Este Sistema de Informação Geográfica é um sistema de software, hardware que consiste na recolha de informação espacial e procedimentos computacionais que permite e facilita a análise e representação dos espaços referenciados. No que toca a áreas referentes à saúde pública das populações este sistema de informação geográfica veio possibilitar aos profissionais desta área a apresentação de informação geográfica, a sua análise e posterior armazenamento da informação, a utilização desta ferramenta veio possibilitar também mais concretamente nos estudos epidemiológicos relacionar determinadas ocorrências a áreas geográficas.

Os Objetivos Gerais deste projeto são:
-Armazenamento e atualização de dados que permitam uma fácil e rápida avaliação da situação de referência em relação a diversos parâmetros sanitários;
-Apresentação da informação de um modo educativo, claro e de fácil perceção;
-Rapidez no tratamento e produção de informação;
-Utilização imediata permanentemente disponível;
-Apoio á decisão permitindo a simulação de variadas situações;
-Melhoria no aproveitamento dos recursos humanos e equipamentos;
-Cumprimento das imposições legais em adequação com os fatores de risco identificados em cada zona - definição dos parâmetros de qualidade a pesquisar em cada zona;
-Informação orientada para a realização de estudos epidemiológicos;
-Informação para a construção de indicadores em saúde.

  É fácil percebermos como esta ferramenta permite a visualização rápida e em tempo útil, dos vários temas, os quais têm uma base de dados contendo informação específica acerca de cada tema, bem como a sua localização exata espacialmente. Os temas de interesse sanitário e epidemiológico, sobre os quais incide prioritariamente a atenção e a vigilância dos serviços de saúde são:

Fig 1- Locais de interesse epidemiológico e sanitário  presentes na ferramenta IGEOE MAP
Apodemos então concluir que a partir de Sistemas de Informações Geográficas (SIG) aplicados à saúde, diversos tipos de mapas podem ser produzidos em escalas variadas, facilitando o cruzar de informações, o que permite ao usuário compor uma base de dados útil e eficiente, bastante rápida e interativa.
De seguida coloco mapa com dados da febre amarela silvestre no Brasil, para que seja possível a percepção de como a representação destes dados neste formato nos permite ter uma noção mais real da dimensão dos problemas, e desta forma planear uma resposta mais eficaz na defesa da Saúde Pública. 



 Muito Obrigado...!!! :)  

Fontes bibliograficas:
- Organização Mundial de Saúde (OMS):
http://www.who.int/en/
- Relatórios de atividades Projeto IGEOE MAP, Unidade de Saúde Pública do Baixo Alentejo;
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC):
http://www.cdc.gov/
- Conceitos Básicos de Sistemas de Informação Geográfica e Cartografia aplicados à saúde:
http://www.bvsde. paho.org/cursode/fulltext/Livro_cartog_SIG_saude.pdf

sábado, 7 de dezembro de 2013

REVIVE

Nesta publicação irei falar de vectores  uma das áreas em que o técnico de saúde ambiental também participa e onde tem um papel fundamental na participação do programa REVIVE (Rede Nacional de Vigilância de Vetores).
O Programa REVIVE insere-se no âmbito de atuação do Técnico de Saúde Ambiental, pois no Decreto-Lei nº 117/95, de 30 de Maio referente ao conteúdo funcional do Técnico de Saúde Ambiental na alínea a) do artigo 1 refere que: “O Técnico de higiene e saúde ambiental atua no controlo sanitário do ambiente, cabendo-lhe detetar, identificar, analisar, prevenir, e corrigir os riscos ambientais para a saúde, atuais ou potenciais que possam ser originados por fenómenos naturais...".
O programa REVIVE, sediado no Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infeciosas, que arrancou em 2008, e que responde à necessidade de melhorar o conhecimento sobre as espécies de vetores presentes no país, a sua distribuição e abundância, contribuindo para o esclarecimento do seu papel como agentes de transmissão de doença, assim como detetar atempadamente introduções de espécies invasoras com importância em Saúde Pública.
Desta forma, privilegiando a prevenção, em detrimento da resposta à emergência, a vigilância permite detetar atempadamente qualquer alteração na abundância, na diversidade e papel de vetor, levando as autoridades a definir medidas que contribuam para a proteção da Saúde Pública.
O REVIVE permite de forma contínua cumprir os seguintes objetivos:
  • Vigiar a atividade de artrópodes hematófagos, caracterizar as espécies e a ocorrência sazonal em locais previamente selecionados;
  • Identificar agentes patogénicos importantes em Saúde Pública transmitidos por estes Vetores;
  • Emitir alertas para a adequação das medidas de controlo, em função da densidade dos vetores e do nível de infeção.
Com estreita ligação internacional, o REVIVE contribui regularmente para a rede de vigilância de vetores a nível de toda a Europa (VBornet) e para o Programme on emerging and vector-borne diseases, criados pelo European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC).
O INSA como entidade competente na vigilância, formação e disseminação de informação sobre este assunto, através do Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infeciosas (CEVDI), tem vindo a desenvolver estas atividades, ao longo dos anos, dirigidas especialmente aos Técnicos de Saúde Ambiental (que participam nas capturas em todo o país), a Médicos e outros profissionais de saúde.

Sobre o trabalho desenvolvido pelo REVIVE:
2012
  • REVIVE “Culicídeos - mosquitos”: como início em Maio, em função do período de atividade destes vetores, e que decorrem até Outubro, com a participação das ARS Alentejo, Algarve, Centro, Norte e IA Saúde Madeira. O financiamento é garantido pelas regiões (campo) e pelo INSA (laboratório). A ARS LVT, participou em 2008 e 2011, não estando a participar em 2012.
  • REVIVE “Ixodídeos - carraças”: em curso desde Janeiro com a participação da ARS Alentejo, Algarve, Lisboa e Vale do Tejo e Norte. A participação é financiada pelas ARSs (campo e laboratório).
Desde 2011, a vigilância de Vetores no REVIVE foi alargada ao estudo de carraças, sendo atualmente também efetuada a vigilância de outros artrópodes hematófagos (as carraças) e pesquisados os agentes patogénicos mais importantes em Saúde Pública transmitidos por estes vetores, nomeadamente rickettsias (agentes da febre escaro-nodular e linfangite) e borrélias (agentes da borreliose de Lyme).
A deteção dos agentes nas carraças, realizada atempadamente, permite ao clínico o estabelecimento ou exclusão precoce de um diagnóstico, através da componente epidemiológica.


A inclusão do estudo das carraças no REVIVE tem sido essencial para a melhor comunicação entre os clínicos e o laboratório, com o benefício evidente para o doente., sendo a análise das carraças colhidas em humanos essencial para o esclarecimento do potencial patogénico de alguns agentes infeciosos que por só terem isolados de carraças, até ao momento, se desconhece a sua ação patogénica para o Homem.

Procedimento de Colheita de Amostras de Mosquitos Adultos:
Durante o período em que tive a oportunidade de estagiar na unidade de Saúde Publica colaborei numa colheita de mosquitos adultos esta foirealizada num jardim público, num local abrigado do vento, para efectuar a colheita foi utilizada uma armadilha CDC (Centers for Disease Control and Prevention), esta armadilha contém uma fonte de luz que atrai os mosquitos para um local onde estes são aspirados passando de imediato para o recipiente coletor. Por sua vez o gelo seco também vai atrair os mosquitos mas devido à libertação de dióxido de carbono, já que estes localizam os potenciais hospedeiros através do dióxido de carbono expirado durante a respiração.

Material utilizado na Colheita:
- Armadilha tipo CDC (Center for Disease Control) e recipiente coletor;
- Bateria carregada;
- Gelo seco e saco;
- Termo-higrómetro.

Método de Colheita:
1- Produzir o gelo seco necessário à colheita;
2- Colocar a armadilha antes do pôr-do-sol com o recipiente coletor e ligar à bateria;
3- Verificar se as portas metálicas basculantes da armadilha se encontram na posição fechada e testar várias vezes se abrem e voltam à posição inicial;
4- Colocar o Termo-higrómetro. Anotar os dados importantes no boletim de colheita (tipo de habitat, proximidade de água, entre outros);
5- Colocar o recipiente de gelo seco na proximidade da armadilha (se for um saco de plástico deve-se fazer um furo);
6- Na manhã do dia seguinte, após o nascer do sol, recolher com cuidado o recipiente coletor, evitando fugas dos mosquitos capturados. Registar os dados relativos à temperatura e humidade relativa no boletim de colheita.

Expedição das Colheitas:
Para a expedição, as amostras foram bem acondicionados em recipientes estanques, sendo que estes foram posteriormente colocados numa caixa térmica em esferovite com um termoacumulador e enviados por correio juntamente com os boletins de colheita para o CEVDI (Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infecciosas).

Fig 1- Fabrico do gelo seco

Fig 2- Gelo seco




Fig 3- Fixação do saco com gelo seco e da armadilha para mosquitos




A dengue é uma doença transmitida  através de vetores colocando em risco uma população de cerca de 2,5 a 3 bilhões de pessoas. A doença apresenta taxa de mortalidade de 10% para pacientes hospitalizados e de 30% para pacientes não tratados. A dengue é endémica de regiões tropicais e subtropicais abundantes em chuva, como o sudeste asiático, sul do Pacífico, África Oriental, Caribe e América Latina. Um estudo recente apontou que a incidência de dengue no mundo pode ser o triplo da estimada, chegando a 390 milhões de casos por ano. Esse mesmo estudo, da Organização Mundial da Saúde, aponta que a Ásia corresponde a 70% dos casos de dengue no mundo, sendo que a Índia sozinha engloba 34% das infeções. 14% dos casos estão nas Américas, principalmente no Brasil e México.
Segundo dados da Secretaria de Vigilância Sanitária, houve um aumento de 205% nos casos de dengue no período de Janeiro a Abril de 2013 comparados ao mesmo período de 2012. Entretanto, houve uma diminuição de 4% dos casos graves da doença em relação a 2012. O país registrou queda de 74% de 2011 a 2012 nos casos graves de dengue. Os óbitos registrados de Janeiro a Abril de 2013 aumentaram 5% com relação a 2012.


As tabelas abaixo resumem a incidência e número de casos de dengue no Brasil entre Janeiro a Abril de 2013, segundo dados do Ministério da Saúde, sendo que o Sudeste aparece como região com maior número de casos da doença:





Um dado interessante é que das 1623 amostras positivas para a dengue, 59,1% corresponderam ao sorotipo DEN-4, 34,8% ao DEN-1, 5,8% ao DEN-2 e 0,3% ao DEN-3. Isso representa que o sorotipo DEN4 (recentemente reintroduzido no país) é o mais prevalente na população. Sendo a dengue uma das doença transmitida através de vectores considero que o programa REVIVE de grande importância na prevenção e vigilância da saúde pública.

Muito obrigado...!! :)

Fontes bibliográficas:
- Decreto-Lei nº 117/1995, de 30 de Maio:
   http://www.dre.pt/pdf1s/1995/05/125A00/33783380.pdf
- Programa Regional de Vigilância de Vetores 2010-2015:
http://www.arsalentejo.minsaude.pt/saudepublica/ProgramaREVIVE
- Relatório REVIVE - Culicídeos:
http://www.arsalentejo.minsaude.pt/saudepublica/ProgramaREVIVE
- Informação mensal dos casos de febre de dengue na Ilha da Madeira (Setembro de 2013) emitida pela Direção Geral de Saúde:
- Climate change and vector-borne diseases: a regional analysis. World Health Organization, 2000:
http://www.who.int/bulletin/archives/78(9)1136.pdf
-Cria saúde: